Cássio Vasconcellos: Percebendo a Floresta
qui., 11 de jun.
|Casa Seva


Horário e local
11 de jun. de 2026, 18:00 – 01 de ago. de 2026, 15:00
Casa Seva, Alameda Lorena, 1257 - casa 1 - Jardins, São Paulo - SP, 01424-001, Brasil
A exposição de Cássio Vasconcellos na Casa Seva reúne diferentes desdobramentos de uma pesquisa que o artista desenvolve há mais de uma década em torno da paisagem brasileira e da relação entre fotografia, pintura e imaginação. Ao longo de sua trajetória, Vasconcellos construiu uma produção marcada pela tensão entre documento e ficção, observação e artifício. Mesmo diante da vastidão da floresta ou das amplas vistas aéreas, suas imagens revelam um olhar rigoroso para a composição, organizando fragmentos dispersos em campos visuais densos e profundos.
Parte central dessa investigação aparece em Viagem pitoresca pelo Brasil (2015–atual), série inspirada nas expedições artísticas e científicas realizadas no Brasil durante o século XIX. O trabalho dialoga com o imaginário dos chamados “artistas viajantes”, como Jean-Baptiste Debret, Johann Moritz Rugendas e Hércules Florence, que produziram algumas das primeiras representações sistemáticas da paisagem tropical brasileira. Mais do que retomar esses registros, Vasconcellos investiga o desafio de representar a densidade visual da mata atlântica — um território marcado pelo excesso de informação, pela sobreposição de planos e pela dificuldade de enquadramento.
Nas fotografias do artista, troncos centenários atravessam a composição enquanto folhagens, cipós e sombras se dissolvem em atmosferas nebulosas. Em muitos momentos, a fotografia aproxima-se da pintura e da gravura, produzindo superfícies de tonalidade quase pictórica. A imagem deixa de operar apenas como registro documental e passa a ocupar um território ambíguo, entre observação e construção visual.
Essa aproximação torna-se ainda mais evidente em Dríades e Faunos (2019–2020), série em que Vasconcellos incorpora figuras retiradas de pinturas acadêmicas europeias do século XIX. Nus femininos e masculinos extraídos de obras de Jacques-Louis David, William-Adolphe Bouguereau e Jean-Baptiste-Camille Corot surgem entre árvores e folhagens como aparições silenciosas. O título faz referência às dríades e aos faunos da mitologia greco-romana, entidades ligadas à floresta e à vida orgânica.
Ao inserir esses corpos idealizados na paisagem tropical brasileira, o artista produz um encontro entre diferentes temporalidades e regimes de imagem: a tradição clássica da pintura europeia, a fotografia contemporânea e a paisagem brasileira coexistem numa mesma superfície visual. A floresta deixa de ser apenas cenário e passa a operar como espaço simbólico, de memória e imaginação.
Entre a observação rigorosa e a construção imaginária, a fotografia de Cássio Vasconcellos propõe uma reflexão contemporânea sobre a paisagem brasileira e sobre os modos de representá-la.



